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O bom odor de Cristo

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Desde o ano de 1233 que este dia 24 de Maio ficou gravado na memória dos frades que viviam naquela altura e na história da Ordem Dominicana. O frades tinham decidido, com alguma pressão do Papa Gregório IX, que tinha convivido com São Domingos, levantar o corpo de São Domingos do primitivo túmulo, que estava meio abandonado e entregue às intempéries, para um novo túmulo no novo convento. Os frades queriam fazer a trasladação meio em segredo, por não saberem em que estado estava o corpo de Domingos. Naquela Idade Média um corpo incorrupto era sinal de santidade. Mas o Papa Gregório, impossibilitado de estar presente, mandou uma comitiva, o que fez com que o segredo se tornasse numa solenidade. E conta a memória deste dia que, mal retiraram a lápide, saiu do corpo de São Domingos uma fragrância muito suave que ficava agarrada às mãos ou às roupas de quem tocava no corpo de São Domingos. Este foi um sinal medieval da santidade de São Domingos que fez com que este mesmo papa o canonizasse…

Fátima descaracterizada

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Há muitos anos atrás, um dominicano português que usou o pseudónimo "João Ilhargo", escreveu um livro a que deu o título de "Fátima desmascarada". O título era excessivo - talvez por isso tivesse usado o pseudónimo - mas era um rebate às memórias de Lúcia, tentando descobrir o que era inventado por parte dela e não condizia com as aparições. Cem anos depois das aparições volta o mesmo rebate, já não só criticando os exageros da Lúcia que transformou uma mensagem simples e concreta num vale de devoções e visões, complicando e exagerando e, claro está, interpretando tantos anos depois a simplicidade das aparições. Basta comparar as singeleza das respostas ao interrogatório com as memórias e os seus acrescentos posteriores. Mas eu não quero tornar-me numa réplica de João Ilhargo. Para mim é claro e transparente que uma coisa é o fenómeno de Fátima (sejam aparições ou visões) e outra é a excessiva mensagem com os seus apelos e repiques. Chamei a este post "Fátima…

Emaús

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O caminho da tristeza
Torna-se mais longo e sem rumo.
Os olhos, embargados e sem luz,
Os pés, pesados e cansados
A cabeça curvada e confusa
Impedem os dois companheiros
De ver Jesus.

Ele caminha com eles
Abre-lhes as Escrituras e o coração
Lentamente tudo muda
E tudo faz sentido
Ao partir do pão.

Regressam à cidade
Com uma alegria incontida.
É verdade, está vivo,
E nós somos testemunhas
Que a morte foi vencida.

O caminho da vida
É o caminho de Emaús.
Quem o percorre sozinho
Não encontra destino nem meta.
Mas uma coisa é certa
Nesse caminho anda Jesus.

Indecisão

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Passei o dia com a vontade de escrever mas não atinei com o assunto: sobre a intolerância de alguns diante da tolerância de ponto ou sobre Santa Cataria de Sena que hoje se comemorou. Mas não me decidi. Sobre a tolerância de ponto a minha opinião não iria certamente trazer qualquer benefício nem prejuízo a ninguém e sobre Santa Catarina, depois de ler episódios e orações dela, acabei por não me decidir por nenhuma. Durante a tarde outros assuntos me surgiram para escrever: um poema de Daniel Faria, o artigo do P. Anselmo Borges sobre Fátima (bastante interessante, até) ou um comentário ao artigo sem sal do Professor João César das Neves, também sobre Fátima. O autor parece o Quixote a defender Nossa Senhora e Fátima e os Pastorinhos, querendo corrigir as afirmações que D. Carlos Azevedo e o P. Anselmo Borges fizeram nos dias passados. Li o artigo, ia caindo na tentação de publicar um pequeno comentário - ainda o escrevi - somente com esta frase: aqui está um mais papista que o Papa. …

Vidas contemplativas

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Tenho vivido dias pouco contemplativos mas ligados a pessoas contemplativas. Vidas que me têm impressionado por aquilo que, de certa maneira, poderia ter sido também a minha vida mas que hoje reconheço que não foi a vontade de Deus. Na terça-feira depois da Páscoa o noviciado foi a Évora, com o principal objectivo de visitar a Cartuxa. Para mim a quarta ou quinta visita, sendo que as últimas já não são de curiosidade mas sim de admiração pela vida simples e austera, aparentemente vazia mas sem dúvida homens cheios de Deus. A visita foi de certa maneira rápida, uma vez que coincidiu com o passeio pascal da comunidade. Passámos nas partes principais da Cartuxa: igreja, capela da comunidade, claustro, cela, biblioteca e cemitério. As perguntas iam surgindo naturalemente, ao mesmo tempo que se tiravam algumas fotografias. Ao meio dia rezámos as Ave-Marias (na Cartuxa o Regina Caeli só se reza depois de Laudes), ao mesmo tempo que os sinos tocavam. Aliás, na cartuxa superabunda o silêncio…

Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito

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Última palavra de Cristo na Cruz antes entregar a sua vida. Não sabemos se foi propositado ou não mas, quer a primeira quer a última palavra de Cristo foram orações ao Pai. Nas duas chama a Deus de Pai, como sempre Jesus chamou e nos ensinou a chamar. Também duas das frases são citações de salmos; Jesus personaliza o salmo 31, que é um salmo indicado para as horas de tribulação. Este grito de Jesus ao Pai, é uma entrega a Deus da sua vida: Jesus, no fim da sua vida e nós, em cada dia, numa entrega de confiança e de amor. Este grito é também o grito dos que, no meio do desespero, se entregam a Deus, as suas horas e dores, as suas angustias e os seus desesperos. Jesus dá-nos uma última lição antes de morrer: unidos ao Pai os vales tenebrosos da vida passam-se na calma e na confiança.

A paixão do Senhor

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Ao ler a Tua Paixão, Senhor, eu te peço:
Que me livres do farisaísmo cego e insensível
Que tantas vezes trai e mói
Que contradiz e argumenta sem argumentos
Que vive da aparência e do agradar aos outros.

Ao ler a Tua paixão, Senhor, eu te peço:
Que me faças compreender o gesto acolhedor
Da Tal pessoa que o Evangelho não nomeia
Mas que ficou guardado na memória da fé.
O gesto solidário do Cireneu, que cansado
e talvez até contrariado foi revelador de proximidade na dor;
O gesto de misericórdia de José de Arimateia,
Que cedeu o seu próprio túmulo para que o teu corpo
Pudesse ter a dignidade que o sofrimento e a injustiça tiraram.

Ao ler a tua Paixão, Senhor, eu te peço:
Que me faças seguir o teu exemplo de humildade
Que tantas vezes passa pelo silêncio:
Silêncio diante da traição de um amigo
Silêncio diante da incompreensão, em que qualquer palavra
Gera ainda mais violência
Silêncio diante dos ultrajes e das mentiras que afogam e matam

Ao ler a tua Paixão, Senhor, eu te peço:
Que eu sa…