As cerejas!

Não tive tempo e já vai tarde a minha homenagem às cerejas! Em Resende vão fazê-la no próximo fim-de-semana. Estive na semana passada em Lamego, onde as cerejas, boas, rijas e abundantes, se colhiam e vendiam por todo o lado. Uma monja ao olhar para as cerdeiras, dizia-me: pára, frei, que elas estão a pedir misericórdia! De facto, estavam as cerdeiras carregadas na estrada de Bigorne para Lamego. Provei as de Sucres e as de Lamego (da cidade e do mosteiro). Não tive oportunidade de ir às de Resende... 
Em Feirão não há cerdeiras. Ou pelo clima ou sem motivo aparente válido, aquele enclave não produz cerejas. Temos as amoras e muitas graças a Deus. Mas veio-me à mente que há uma zona agrícola em Feirão que tem o nome de "Sardeiras". Lá a terra é fértil, numa pequena colina, haviam umas pequenas hortas, perto da aldeia, com abundância água, onde as pessoas iam (agora está tudo praticamente abandonado) buscar os produtos da época desde as batatas às cebolas e couves e coisas assim miúdas. Mas Sardeiras não existe como árvore ou plantações de alguns frutos. Talvez haja alguma reminiscência às cerdeiras que, talvez, em tempos muitos antigos se possam ter plantado, deturpado o vocábulo para dar no que deu agora. 
Fui a Lamego e trouxe cerejas para o convento. Fez-se festa. Os noviços provaram e gostaram,  os mais velhos não se lembravam de ter tanta abundância de cerejas.
Feirão não produz cerejas. Mas gosto de pensar que naquele pequeno vale das Sardeiras, em tempos idos e apagados, poderão os meus antepassados ter plantado, colhido e comido este fruto que raramente nos farta e tão bem nos sabe.

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