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A mostrar mensagens de Novembro, 2017

O pecado da omissão

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No próximo domingo escutaremos o Evangelho do juízo final, na versão de São Mateus. Resume-se às duas frases de Jesus: a mim o fizestes, a mim o deixastes de fazer. O P. António Vieira, que muito e bem pregou, fez um sermão sobre este capítulo 25 de São Mateus, na perspectiva do Advento, quando o Senhor vier separar os bons dos maus. Todo o sermão vai sobre a separação em classes sociais, havendo muito que separar, até na cova dos eclesiásticos! Mas, ao rematar o sermão, op P. António Vieira fala de uma espécie de pecados, que me aflige muito, que é o pecado de omissão. Na perspectiva dele é o pior dos pecados porque é um bem que se deixou de fazer. Deixo aqui parte do sermão em que se refere a este pecado. O segundo parágrafo é muito esclarecedor e o terceiro diz o óbvio que muitos cristãos não querem ler nem saber: primeiro a obrigação e depois a devoção.
Sabei, cristãos, sabei, príncipe, sabei, ministros, que se vos há-de pedir estreita conta do que fizestes, mas muito mais estrei…

Contas fáceis de fazer

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O Evangelho de hoje é a parábola dos talentos. Talento é uma moeda que, facilmente entrou na nossa linguagem como dom, dote especial... Mas não, o talento do evangelho é mesmo moeda. Para perceber melhor das avultadas quantias que se entregaram aqui faço uma actualização de preços: Um talento é equivalente ao salário de seis mil dias de trabalho; Seis mil dias de trabalho equivalem a duzentos meses (dezasseis anos e meio); Uma pessoa que ganhe o ordenado mínimo nacional irá receber por duzentos meses de trabalho cento e sete mil euros. Portanto, o senhor da parábola entregou ao primeiro empregado quinhentos e trinta e cinco mil euros, ao segundo duzentos e catorze mil euros; e ao último cento e sete mil euros... De que se queixava ele? Era pouco? Bom domingo!

Pobres e humildes

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A Igreja fez ontem memória de São Martinho, uma dos mais ilustres santos da nossa Europa. Na liturgia há uma antífona que me impressiona sempre que a rezo e muitas vezes vem à minha mente: Martinho, pobre e humilde, entrou rico no céu. Pobres e humildes. Palavras doces, virtudes nobres, próprias dos grandes santos, pedras duras no caminho largo da vida, tantas vezes obstáculos para caminhar no caminho de Deus. Pobres e humildes. Uma pobreza que não é uma condição forçada de quem não tem alternativa, mas própria de quem quer ter a maior riqueza deste mundo e do outro: Deus.  Pobres e humildes. Uma pobreza que é opção de vida, tantas vezes contradição, mal compreendida por um mundo de consumo e de fartura. Uma pobreza que é irmã, partilha e solidariedade, apelo a procurarmos e desejarmos o pão de cada dia, que nos sustenta no essencial e nos liberta do excesso e do acumular de bens. Humildes e pobres. Uma humildade verdadeiramente humilde, pese a redundância. Humildade que é morrer para o …